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Conversas e Café

Por que ficamos tristes de perder pessoas que nos magoaram?

Li esta pequena questão numa publicação no Instagram. Nesse momento perdi-me logo a refletir sobre uma eventual resposta, talvez precipitada, diria, mas mesmo assim, senti que esta questão era digna de um tema de reflexão. Desse modo, decidi abordá-lo por aqui. Afinal "Por que ficamos tristes de perder pessoas que nos magoaram?". 

Primeiramente, não custa nada relembrar e passo a citar uma outra frase que li nestes últimos dias: 

Nem tudo são perdas. Algumas coisas são livramento.

De facto, se pensarmos bem, com alguma racionalidade, se pretendemos ser felizes, devemos viver com leveza. Relacionarmo-nos com pessoas (independentemente do tipo de relação, seja amizade ou algo mais!) ou situações tóxicas e negativas, em que nada nos acrescenta senão tristeza, mágoa, dor ou qualquer outro tipo de sentimentos negativos, não é viver com essa tal leveza, felicidade ou até mesmo plenitude. Por vezes é necessário libertar-nos disso para pudermos seguir em frente e de cabeça erguida. E não tem mal nenhum em fazê-lo. A isso chama-se crescer e evoluir. Expandir horizontes. 

Depois, e voltando ao cerne da questão, talvez até ficamos assim por colocarmos demasiadas expectativas e acharmos que "desta vez será diferente", no fundo, é essa esperança, essa expectativa que coloca o relacionamento (seja ele qual for) num outro patamar. Daí "gastarmos" o nosso tempo, dedicarmos toda a nossa atenção, depositarmos toda a nossa energia, até mesmo querermos mudar por essa pessoa/situação, mas eu pergunto-me (e a vocês também) "Para quê? Será que deveríamos mudar por elas ou por nós mesmos?" Ah, pois!

O que é certo é que estamos todos de passagem, nada é eterno e cada pessoa tem o seu tempo para permanecer na tua vida, no teu caminho, com o propósito de ensinamento. Cada um deixa em ti uma lição. Mesmo que seja ela pautada pela dor. Mas aí, só depende de ti, a forma como vais encarar e viver com isso. Essa lição pode ser tanto positiva como negativa, isto é, algo que te possa transformar positivamente de modo com que aprendas a te relacionares com outras pessoas futuramente ou então possa servir de exemplo a não seguir. Agora é uma questão de adaptar à vossa realidade e aceitar simplesmente. 

Obviamente que a tristeza e desilusão é algo que se manifestarão naturalmente pois as memórias felizes sempre virão ao de cima mas pensando racionalmente sobre o assunto, não estaremos apenas a "romantizar" tudo como mecanismo de autodefesa de modo a atenuar os momentos que provocaram uma maior dor/mágoa em vós?! Será mesmo que vale a pena continuar a bater na mesma tecla e correr atrás depois de tudo? Ou agradecer à Vida/Universo/Deus (ou naquilo que vocês acreditam) por vos ter livrado dessa situação/pessoa? Já pensaram que foi melhor assim? Nada acontece por acaso. Tudo tem uma razão de ser! E tenho a certeza que o melhor ainda está por vir, a seu tempo. Pois quando o tempo de permanência é ultrapassado, já não é bom para nós e em nada nos acrescenta! 

Pensem nisso! 

E enquanto pensam, quero saber, na vossa opinião, o porquê de ficarmos tristes quando perdemos alguém que tanto nos magoou. Será apego? Ou será porque depositamos muitas expectativas nelas?

Deixo também, abaixo, o post que me fez abordar tal reflexão: 

 

 
 
 
 
 
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Uma publicação partilhada por Frases (@respeitei)

Estou vacinada!

Estou bácinada! *ler com "sotaque do norte"* (desculpem mas não resisti fazer esta piada, mas que fique registado que adoro a pronúncia do norte do nosso país!). 

Na verdade já estou (toda) vacinada desde o dia 19 de agosto porém, só hoje é que vi dar feedback da minha experiência um pouquinho traumatizante, com esta minha segunda dose da Pfizer. Se na primeira dose foi super tranquilo, que até fiz um post aqui, esta foi um pouco mais "difícil". 

Não querendo traumatizar as pessoas que ainda estão indecisas sobre ir ou não levar a vacina, e se ainda há pessoas com esse dilema, ainda há tanta dúvida porquê? Porque preferem ouvir os TikToks ou vídeos de movimentos antivacinas em vez dos especialistas, voz da ciência?! Não se acredita tudo o que se lê, atenção!

Mas quanto à segunda dose, digamos que estava tudo tranquilo depois da vacina, até ao dia seguinte. Acordei já com sintomas de gripe e com febre que se prolongou durante todo o dia mas nada que o meu amigo ben-u-ron de 1g de 6h em 6h não resolvesse. Nesse dia, lembro-me do esforço que fiz para ter de sair de casa, já nem me lembrava de como era sentir-me doente. No entanto, quanto a sintomas ficou por aí. Já para nem falar do braço inchado que ainda hoje está um bocadinho. O meu maior medo era mesmo se passava mal a noite, visto que às 2h da manhã seria a hora da próxima toma mas, sinceramente, nem senti necessidade de me intoxicar e dormi que nem um anjinho e acordei fresca que nem uma alface do LIDL. 

Isto para dizer que passei por um bocado mas tenho a certeza que valeu a pena pois tenho a vacinação completa e não poderia estar mais feliz e radiante por ver uma luz ao fundo do túnel. 

Vacinem-se também. Protejam-se, a vocês e aos outros! 

A primeira já está!

Hoje foi a minha vez. Quando dei por mim lá estava eu, com uma agulha espetada no braço a levar a minha primeira doze de esperança da Pfizer. Não há palavras para descrever o que senti naquele momento. Senti que finalmente pude ver a luz ao fundo do túnel, que dei um paço rumo ao início do fim de todos estes tempos atribulados que estamos a viver. Houvera inscrito-me no portal da saúde, mas, mesmo sem resposta, um anjo, no qual estou eternamente grata, uma amiga minha, deu-me um contacto para agendar. 

Liguei uma vez, estava indisponível, aguardei. Quando ia ligar uma outra vez, recebo a chamada de volta, atendo sem hesitar. Mal digo que gostaria de agendar a minha vacina, do outro lado da linha recebo a resposta "temos uma vaga para agora, tem disponibilidade?" respondi prontamente com um "sim" com um entusiasmo tal que nem eu própria sei de onde vinha. Em 20 minutos estava lá, toda feliz da vida, com um sorriso de orelha a orelha mesmo com uma máscara a cobri-lo. Finalmente haveria chegado à minha vez, estava emocionada, mesmo indo às cegas quanto à vacina que iria levar, estava a torcer que fosse a Pfizer, não duvidando da qualidade das restantes aprovadas pela UE (União Europeia), atenção. 

Quando soube que era mesmo essa que iria levar, quase que cresci dois metros de tanta felicidade. Não doeu, esperei os meus trinta minutos e agora vos escrevo a partir de casa, a torcer igualmente que o meu corpo/organismo reaja bem à vacina nos próximos dois dias. A ver vamos. No entanto, a primeira já está e não consigo conter tanta a alegria que há em mim pela tão desejada vacina que veio aumentar a esperança de um dia de amanhã mais para o "normal". 

Vacinem-se! É seguro, rápido e a nossa única arma para travar esta pandemia! 

11 anos de diabetes

Deixem-me contar-vos uma história, de uma menina com apenas oito anos, a caminho dos nove, que na semana em que foi considerada a “melhor aluna da semana” mal sabia que essa seria a última semana de uma vida “normal” de criança. Aí, no dia 13 de março de 2010, num sábado, em que o sol brilhava por entre as nuvens que teimavam cobri-lo, o seu mundo desabou. Um trambolhão na sua vida graças a um diagnóstico de uma doença “para toda a vida”, segundo um pediatra rude que lhe deu internamento. Essa menina foi obrigada a crescer na enfermaria onde estava, entre deslocações de ambulância para formações sobre a sua doença, entre o colo dos pais, dos familiares e ainda com as cartas dos amigos da escolinha que tomaram a iniciativa de as escrever. Essa menina, entretanto, continuou a crescer, nunca permitiu que o sorriso do seu rosto se apagasse, foi sempre muito forte e madura na sua luta diária contra a diabetes fazendo de tudo para a controlar e para ter, no mínimo, uma vida plena e o mais normal possível apesar das circunstâncias.

Hoje, faz 11 anos em que lida diariamente com a Diabetes, 11 anos de luta quotidiana, feita de conquistas, umas tantas frustrações mas acima de tudo muita dedicação, foco e esforço. E 11 anos depois essa menina, mais propriamente, EU, não perdeu o sorriso pois é a sorrir que tudo fica mais leve e mais fácil de se suportar.

 

 

 

[ Texto da minha autoria também publicado no meu Facebook pessoal e no Instagram! ]

3 anos de (muitas) Conversas e Café

Criei um blog há três anos. Sem expectativas, muitos sonhos e temas para falar. Com muita vontade de expressar-me ao mundo através da minha escrita a minha essência, a minha verdade e os meus gostos. Não tinha grandes esperanças que este fosse lido, para mim, duas ou três visualizações, já me era mais que o suficiente. No entanto, 3 anos depois estou aqui. Sou péssima com datas, tanto que nos anos anteriores ela passou em claro mas este ano não. 

Este ano quero agradecer-vos pelo carinho, pelo tempinho que tiram para o ler e trago a promessa que assumirei este desafio até ao fim, desafio de trazer-vos conteúdo apesar de todos os compromissos profissionais e até mesmo apesar de estes não surgirem com tanta afluência que gostaria por circunstâncias da vida, quiçá. 

Quero agradecer, sobretudo, aos meus leitores que contribuíram para que desse continuidade a este meu projeto que tanto me entusiasma, que tanto faz crescer e expandir horizontes. Obrigada pelo carinho, apoio e por cada comentário, o vosso feedback é tão importante para mim, não digo isto em termos estatísticos e de popularidade, pois para mim o número de visualizações, independentemente que tenha dois dígitos ou quatro, são apenas números, são apenas meras estatísticas. Digo sim, pela interação. Pela "relação" que estabeleço convosco, contacto esse que esta plataforma digital nos permite e que eu tanto adoro.

Um obrigada não chega para vocês que continuam comigo ou até mesmo que caíram de para quedas por aqui e que decidiram permanecer, vocês que não são só de Portugal mas que estão espalhados por este mundo fora, o mais sincero OBRIGADA. 

Foram três anos formidáveis pelo qual não me canso de agradecer. Espero que venham muitos mais anos, que possa contar convosco.

Por agora, o mais importante que tudo isto, é manterem-se em segurança e com saúde.

Cuidem-se!! 

♡ 

O CAOS ...

Ontem foi dia de regressar à minha ilha para as férias de natal e eis que deparei-me com o caos face aos tempos que estamos a viver. O caminho de Coimbra para Lisboa foi muito tranquilo, até dormi um pouquinho pois fui bem cedinho para a capital. Cheguei a Lisboa por volta das 11:15h onde fui almoçar e fui para o aeroporto. Tinha o check - in feito, foi só entregar a mala de porão e dirigir-me para sala de embarque. Foi então que delirei com a incompetência e falta de organização dos espaço. A partir do momento em que se passa a primeira segurança, no terminal 1, tem umas escadas onde se sobe e começa a formar a fila para o controlo de segurança onde se passa pelo raio X inclusive. Mas até lá chegar, não se conseguia cumprir as regras de segurança, as filas já se acumulavam nas escadas, as pessoas reclamavam pela falta de organização e falta de distanciamento, regra essa, sendo claramente impossível de respeitar. Até que quando chegamos ao circuito, foi reclamações atrás de reclamações e a partir daí correu tudo normal. Até à sala de embarque que, uma vez mais, era pessoas em cima de pessoas, tudo ao molhe e fé em Deus. Não estava preocupada com os outros até porque já tinha feito o meu primeiro teste à covid que acusou negativo mas sim comigo, uma vez que ninguém sabe onde está o vírus. Tentei desviar-me o máximo que pude, mesmo assim era difícil garantir os dois metros de distância. Nunca vi tal desorganização na minha vida, parecia o fim de mundo. Já aqui na Madeira, tal azáfama só se verificou na recolha das bagagens mas mesmo assim, de longe incomparável com o aeroporto de Lisboa. Depois ao sair do local, passamos por umas portas onde tinha colaboradores a fazer uma triagem se já tínhamos o teste feito ou não e a separar-nos em corredores diferentes com as devidas distâncias cumpridas onde passamos por uma zona de controlo final antes de sairmos para a nossa vida. Nossa vida, quer dizer, cumprir isolamento profilático até sermos contactados pelas autoridades de saúde para a realização do segundo teste.

Tenho, uma vez mais, que aplaudir pela organização e controlo feito no aeroporto da Madeira e lamentar a vergonha que é o aeroporto de Lisboa que não está nem um pouco preparado face a esta situação pandémica que se vive atualmente. É que é só lamentável, um escândalo e um despautério, a aglomeração de pessoas naquele espaço que levou mesmo a questionar-me se estava num aeroporto ou nas filas da Black Friday. Uma desilusão... enfim!

"E a Black Friday?"

Recebi um monte de mensagens de amigos meus, leitores assíduos do meu blog, no dia de ontem a me perguntar sobre a Black Friday. "Juliana pensei que fosses falar da Black Friday mas em vez disso falaste sobre decoração de natal?!", sim verdade. Não falei da Black Friday, não por esquecimento, mas sim por não ser das coisas que mais me cativam e que deliro (sem julgamentos, fashabor!!). Para quem está a leste do paraíso, a Black Friday acontece todos os anos, em todo o mundo, na última sexta feira do mês de novembro em que, supostamente, há descontos exorbitantes nas mais diversas lojas. Este ano, apesar da situação pandémica que vivemos atualmente, não foi exceção embora o apelo fosse online. 

Pessoalmente, não sinto-me minimamente atraída por esta época de descontos e acho que, muito sinceramente, não passa de uma campanha de marketing para triplicar as vendas de natal. Não me julguem quando digo isto mas são raras as vezes em que compro algo neste dia. Aliás, este dia é daqueles que está marcado no meu calendário como "o dia para NÃO ir ao shopping". Eu fujo dele na verdade. Primeiramente é o trânsito descomunal, o autêntico fim de mundo para ir lá bater ao shopping. Segundo, o estacionamento. Uma pessoa gasta mais gasóleo ao andar às voltinhas à procura de um lugarzito modesto para deixar o carro. Terceiro, as lojas todas cheias, roupas desarrumadas que nem nas feiras e todo um  à procura do tamanho da peça X. Já para nem falar das looooooooooooooooooooooongas filas para pagar um trapinho ou outro. Como se tudo isto não bastasse, ainda temos que levar com birras de crianças por causa de um brinquedo que os pais não compraram e ainda pela correria de loja em loja de pessoas pouco civilizadas a esbarrar e a se meter em frente a quem passa. 

Não sei este ano, mas as memórias dos anos anteriores, assustam-me. 

Por ser tudo online, os sites devem de ir a baixo em cinco minutos (senão menos) deixando compras interrompidas e pessoas em espera. Não sei. Simplesmente não gosto. Prefiro aguardar pelos saldos, sei lá. Não que também não haja estratégias de marketing enganosas associadas para vender mais, no entanto, perto da Black Friday, semanas antes, até, vê-se os preços dispararem desenfreadamente para que no dia esteja "em desconto".

Enfim...

Não condeno quem goste, ame ou delire com a ideia de Black Friday, simplesmente acho uma perca de tempo e de dinheiro, por isso, esse dia, é aquele dia que mais evito, até mesmo falar por aqui. 

Bom fim de semana!

Há um mês pela cidade de Coimbra...

Pois é, já se passou um mês desde que saí do ninho e voei nesta aventura que é viver sozinha numa nova cidade onde tudo é-me, praticamente, desconhecido. Durante este mês que passou eu chorei algumas vezes, não vou mentir, ri-me também. Fiz novos amigos, fui às praxes (às poucas que houveram), ganhei uma "família". Por outro lado, as saudades da minha ilha, da minha família, manifestaram-se (e ainda se manifestam!) sobretudo quando não tenho nada para fazer, quando não há conversas nos grupos de WhatsApp, sobretudo aos fins de semana. Para mim, domingo é o pior dia. 

O pior dia no sentido em que é o dia em que as videochamadas via FaceTime são feitas na hora de almoço onde, tradicionalmente, a família se junta e almoça e depois vai passear. Aí sim, dá um aperto no coração quase insuportável e os meus olhos escondem as lágrimas que teimam em sair enquanto a minha cara força o melhor sorriso que possa fazer. Mas também é o pior dia uma vez que quase toda a malta do curso se encontra na sua "terrinha" e não há ninguém para ir ao café. Enifim... Num todo, posso dizer que é um carrossel de emoções que se vive. Dias melhores que outros, mas eu juro que pensei que iria ser mais difícil adaptar-me aqui e que passado um mês já estaria a arrumar as malas a dizer que ia voltarn para a ilha. (Nada dramática a menina! Nada. Nadinha!)  

Apesar de toda a saudade bater no peito quando ouço ou penso no nome "Madeira", não tenho saído nada mal em conciliar estudos com tarefas domésticas, desde cozinhar, limpar, arrumar. Toda eu sou uma multitasking e nunca paro quieta, talvez para omitir a saudade e as lágrimas que com elas tendem a cair ou talvez até porque estou a ficar com o síndrome da arrumação e organização. Quiçá. 

O que é certo é o facto que em um mês cresci tanto, não em tamanho porque fiquei por os meus 1,57m definitivamente, mas sim pelo facto de me tornar independente e voar do meu ninho, sair da minha zona de conforto e tornar-me uma "mini adulta". Esta experiência de viver sozinha ensinou-me que para além dos estudos, tenho a minha vida de casa e também uma vida social, deste modo, tenho que arranjar tempo para tudo. E acho que, numa perspectiva global de toda a situação, desta minha nova realidade, até agora está a dar tudo certo. E apesar de viver constantemente com o coração apertadinho de saudades, sinto-me acolhida por toda a maltinha do curso, seja pelos meus colegas caloiros, seja pelos doutores que nos praxam, e no fim do dia somos todos amigos e são todos incrivelmente maravilhosos para comigo. Até atrevo-me a dizer que já me sinto em casa com tanta hospitalidade à minha volta. 

Para resumir, este primeiro mês está mesmo a ser uma aventura e tanto. 

No entanto, confesso que estou eternamente grata e estupidamente feliz por cada minuto que vivo aqui. 

Viajar em tempos de pandemia

Muito se tem falado sobre viajar em tempos de pandemia, aqueles tempos estranhos que requer um maior cuidado. Eu evito ao máximo tudo o que exige mais concentração de pessoas e viagens foi daquelas coisas que mais tive medo, no entanto, era algo que não poderia adiar.

Como já houvera referido outrora, fui colocada, na primeira fase de concurso nacional, na Universidade de Coimbra, a minha primeira opção e claro que não iria deixar escapar esta vaga no meu curso por causa desta (maldita) pandemia. No entanto, sou muito consciente de todos os "riscos" de acordo com as circunstâncias (que, desde já, são iguais a qualquer outra pessoa sem patologias associadas) que viria a correr. E claro que tudo isto não foi levado de ânimo leve mas arrisquei e lá vim eu com metade da Madeira às costas pronta para mais uma aventura, uma nova etapa da minha vida. 

Quanto à minha experiência na viagem Funchal - Lisboa, tenho vários aspectos que considerar mas posso, desde já, garantir que tudo foi MUITO seguro e tranquilo. Chegámos ao aeroporto ainda o sol dormia, apanhámos o primeiro voo da TAP desse dia. Despachámos a bagagem de porão, respeitando a sinalética utilizada no chão, mantendo assim os dois metros de distanciamento social, depois fomos para a sala de embarque, onde mais uma vez todas as normas, desde a máscara ao distanciamento, estavam bem presentes, passámos na zona de segurança do aeroporto e seguimos para as portas de embarque, tudo de forma muito calma e segura. Nestas zonas, deparámos com vários postos de solução à base de álcool gel para manter as mãos devidamente higienizadas e desinfetadas.

O maior medo, o avião. Não pelo facto de viajar pois é algo que pessoalmente adoro, mas sim por estar num sítio fechado com muitas pessoas ao meu redor. Tinha muito receio se alguém teimasse em não colocar devidamente a máscara de proteção, no entanto, nada passou de um receio e toda a gente cumpriu, de forma exemplar, quanto a esse aspecto. 

Chegamos a Lisboa, fomos de "autocarro" até ao terminal 1 para buscar a bagagem e sair dali. Aí o pânico instalou-se. Distanciamento de dois metros era inexistente. Ao contrário do Aeroporto da Madeira, havia poucos postos para a desinfeção das mãos, já para nem falar que não havia qualquer formulário ou teste para fazer antes de seguir cada um a sua vida. E as setas e toda a sinalética adotada? Nada era respeitado. Um caos! Por momentos pensei que estava a reviver os velhos tempos sem Covid, aqueles em que uma pessoa era" livre", só que desta vez a "brincar" às máscaras.

No entanto, já estamos em Coimbra, estamos bem, não apresentamos qualquer sintoma associado à Covid, graças a Deus! Os meus pais voltam à ilha dentro de poucos dias onde vão efectuar testes à Covid à chegada. Temos desinfetado vezes sem conta as mãos, usado máscaras até mesmo na rua, ao ar livre. Tomando, assim, todas as precauções possíveis e imaginárias para que tudo corra bem. 

Para concluir, só gostaria que o Governo Português desse um pouco mais de atenção a esta questão dos aeroportos onde circulam diariamente imensas pessoas de todas as partes do mundo. Acho que não seria má ideia haver mais restrições e apertar mais nas medidas à chegada, não só de passageiros estrangeiros mas também passageiros do nosso país. Ninguém tem escrito na testa que está infetado com Covid - 19. É só a minha opinião, vale o que vale. 

Acabei o 12ºano e agora? - Candidatura e Colocações

No último post desta rubrica falei da minha (atribulada) experiência no secundário. Contei-vos a minha história da forma mais espontânea e de coração aberto para vocês. Hoje, vim falar-vos o que aconteceu depois. 

E o início deste post é dedicado à fase de candidatura no Gabinete de Apoio ao Ensino Superior da Região Autónoma da Madeira. Dia 7 de agosto foi o primeiro passo da transição de um novo ciclo, e foi logo no primeiro dia de candidaturas que por volta das 16:30 estava eu sentada a preencher a minha candidatura com a ajuda de uma pessoa especializada (na qual não vou revelar o nome mas a quem eu agradeço por aconselhar e a dar a sua opinião sobre as minhas escolhas). Lá preenchi as seis opções, todas elas fora da minha ilha, dei mais alguns dados determinantes para a minha candidatura e de lá saí feliz da vida com as minhas escolhas. 

Hoje, passado um mês e dezanove dias, em que os últimos dois foram de muita ansiedade e noites mal dormidas, recebi o tão aguardado e-mail que ditaria o meu futuro a nível académico. Entrei. Na minha primeira opção. Até parece um sonho depois de tudo o que aconteceu ao longo do secundário. Hoje, sei que tudo o que me aconteceu, levou-me a enveredar por este caminho. Vou estudar Português, a minha língua que eu tanto amo, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), tal como queria.

Se eu achava que entraria? Pela minha média em comparação com o último colocado do ano anterior, eu sabia que efetivamente poderia entrar, mas agora quanto à minha sorte era um grande ponto de interrogação. No entanto, fiz as minhas malas mesmo sem saber os resultados, comecei por escolher a roupa de inverno e arrumá-la e agora, quando recebi o bendito e-mail, estava a escolher a de verão também. Faltam agora guardar umas últimas coisas, comprar as passagens e ir numa nova aventura rumo a Coimbra. 

Ainda não caí em mim. Tive que analisar, letra por letra, aquele e-mail, só para ter a certeza absoluta de que era verdade. E não é que é mesmo? 

Tal como já disse, tantas outras vezes, tudo acontece por uma razão e se é para acontecer, é sinal que é para nós. E acredito, olhando para trás, que tudo isto aconteceu para colocar naquele que é o meu caminho. E no final, quem diria que esta menina que estudou no secundário Ciências e Tecnologias, iria seguir o ramo das línguas com o intuito de estudar Português. 

Agora esta menina vai sair do ninho e voar numa nova aventura, construir a sua vida sozinha, longe da família, numa cidade nova porém mais ou menos conhecida. Não sei como será o meu futuro, não consigo visioná-lo mas sei que tudo isto vai fazer-me crescer. 

 E como se costuma dizer, maus princípios, bons acabamentos. 

A autora

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