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Conversas e Café

... mas tem mesmo de ir ...

Por vezes devemos deixar ir. Aquilo que nos faz mal, aquilo que nos é tóxico, aquilo que não faz parte do nosso ser e até mesmo aquilo que nos faz bem. Muitas vezes custa, muitas vezes é frustrante e tantas outras deixam de corresponder às nossas expectativas, não nos abraçam, não querem ficar. Há oportunidades que não passam de oportunidade, caminhos diferentes para seguir, ganhar asas e voar. 

Voar. Sem medo. Deveria ser assim. Deixar ir simplesmente sem fazer moça ou qualquer estrago emocional. Mas não, tem de parecer tudo mais complexo. Tem de ir mas deixar marca, tem de doer, tem - se que se sentir. Culpa. Arrependimento. Mas tem mesmo de ir. Será que tem? Tudo é uma questão de fase, até mesmo a vida. Tão estranho, tão difícil, mas tem mesmo de ir. Não há qualquer escolha. Não há forma de tomar como garantido, nada deve ser dado por garantido. Amar quando não se tem, valorizar quando temos, deveria ser assim, certamente que não é. Quando temos, queremos mais e mais, por vezes temos tudo ali à mão de semear mas somos tão cegos ao ponto de nem vermos tudo aquilo que temos. É mais fácil exigir, é mais fácil criticar, é mais fácil corrigir. E quando temos tudo, não observamos nem damos o devido valor enquanto temos. Infelizmente isto é algo humanamente tão nosso, terrivelmente tão nosso. 

E quando vai, deixa todo um rasto de memórias, de emoções que dá espaço a todo um vazio. E quando vai, é porque tinha (mesmo) de ir. Sem culpa, sem ressentimentos, sem arrependimentos. Deixa ir. Não vale a pena insistir, apenas o que ficou, do pouco que restou, é que é mais importante. É aquilo que precisa de ser cuidado. Não essas memórias, não essa dor, não esse vazio. Apenas o que é bom de guardar, aquilo que não nos fere e que nos agarra, aquilo que tão pouco exige e que tudo estima e valoriza.

Isso sim, é para cuidar e não deixar ir. 

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