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Conversas e Café

Acabei o 12ºano e agora? - A minha experiência no secundário

Pois é, o título já fala só por si. E a verdade é que confesso que, finalmente, com os meus dezoito anos feitos e com os dezanove no horizonte, concluí o secundário. Não foi de todo fácil, foi um secundário muito atribulado cheio de medos, ansiedades, trabalho árduo e muitas frustrações. Não estou aqui a dizer que todas as experiências no secundário são iguais e se quem está a ler este post vai entrar no ensino secundário agora, não quero vos afligir ou vos traumatizar, está bem? Só vim contar a minha experiências destes últimos quatro anos da minha vida. Sim, leram bem, foram quatro anos e se vocês estiverem interessados, mais à frente vão entender o porquê de quatro anos em vez de três anos como é suposto ser mas antes, vou já avisando que eu não sou normal tal como as outras pessoas da minha idade se fosse, quase aposto que conseguiria fazer isto em três anos. 

Para contextualizar, até ao nono ano sempre fui considerada uma boa aluna e as minhas notas sempre foram luxuosos quatros e de vez enquanto um cinco a estrelar sobretudo nas artes visuais. O que sempre manchou a minha pauta era o três de educação física e de vez enquanto um três a matemática, que sempre com grande estudo e empenho facilmente virava um quatro. Até que, no fim do nono ano, com a mudança do ensino básico para o secundário, fui obrigada, como tantos outros alunos, a decidir que via iria seguir. Na altura os meus sonhos eram outros, queria ser médica, estudar a diabetes e descobrir a cura para aquela que também era uma doença minha. Então enveredei para o curso humanístico de Ciências e Tecnologias, que também é o curso mais abrangente a nível de opções para o ensino universitário. Matriculei-me e fui admitida na escola secundária que pretendia estudar, sendo esta a escola pública mais requisitada da Ilha da Madeira na altura, ainda hoje é. E lá começou a minha experiência mirabolante, um percurso cheio de altos e baixos, rodeado de obstáculos, enfim. 

Foi em 2016, com os meus quinze anitos acabadinhos de fazer, que entrei no meu décimo ano nesse curso de Ciências e Tecnologias e foi aí que a minha vida mudou, e não estou só a falar da académica mas também da pessoal. Foi aí que percebi que afinal o ensino até ao nono ano não nos prepara para o que aí vem. Eu criei muitas expectativas quanto às minhas notas, pensei que facilmente iria conseguir obter resultados semelhantes aos que já teria obtido até então, fiquei perdida psicologicamente e emocionalmente. Era muita pressão para mim e admito que eu não sou boa a lidar com pressão. Foi então que houve disciplinas que se destacaram pela positiva em relação a outras. As específicas do meu curso (Física - Química, Biologia e Geologia e Matemática A) era um desastre. Foi então que comecei com mais intensidade em explicações, de Física - Química e Matemática A, para ver se a coisa se dava mas, a Biologia e Geologia também não estava bem. Foi então que saiu as notas do primeiro período, as primeiras duas negativas da minha vida surgiram manchando a minha pauta e a minha reputação, Matemática e Biologia e Geologia, mas que duas. Lembro-me de na altura o meu diretor de turma e a minha professora de biologia (duas pessoas pelas quais tenho um respeito e um carinho enorme) insistirem para que mudasse de curso, que não estaria feliz ali e que poderia ser que me desse melhor nas outras áreas pelas quais destacava-me pela positiva. Nessa altura, não mudei. Quis tentar, fui refletindo, mas era o meu sonho e esse sim falou mais alto. E ao longo desse ano a minha nota em Física - Química foi melhorando (graças às explicações porque nas aulas não se aprendia nada, não por falta de atenção da minha parte, se estou a fazer-me entender!), matemática foi de arrasto sempre num dez fraquinho quase a descambar para o nove e biologia, era aquela coisa. Até que no final do ano, o meu diretor de turma insistiu outra vez na ideia de mudar de curso pois ele bem sabia o quanto me esforçava mas o quanto esse esforço estava a ser em vão. Eu, teimosa como sou, decidi continuar para provar a todos que conseguia chegar ao fim. O que é certo é que cheguei, mas um pouco mais tarde! 

Continuei no curso, e com isto décimo primeiro ano. O décimo primeiro ano é uma ano de pressão, se já senti alguma pressão no décimo ano por ser um ano intenso, de transição e de se habituar a uma nova rotina repleta de mudanças, o décimo primeiro ano é aquele ano em que a pressão aumenta pois é um ano de exames nacionais das disciplinas específicas bianais (de dois anos). No meu caso, as opções das bianais eram Biologia e Geologia, Filosofia e Física - Química. Com isto tive lá eu de tomar uma outra decisão, escolher duas das três bianais para fazer exame, como manda a lei. Pensei muito. Tinha melhor nota a Física - Química mas as bases do décimo eram o meu maior receio, embora andasse na explicação. Tinha Biologia e Geologia, que não tinha explicação, que continuava com negativa, mas que tinha um bom caderno cheio de informação capaz de me ajudar. E por fim, tinha a Filosofia, que não havia qualquer problema. Joguei pela lógica, Filosofia foi uma das escolhas, mas depois ponderei entre as outras duas específicas e como eu detestava física e as minhas notas relativamente à química, mesmo que positivas, eram mais baixas, decidi escolher Biologia. Inscrevi-me com externa ciente que precisava no mínimo de 9,5 valores para passar na disciplina, meti-me em explicações, matei-me a estudar, fiz a primeira fase e nada, nem de perto, fiz a segunda fase, perdi as minhas férias todas de verão a estudar na esperança de que iria conseguir, e acabei por só subir dois valores mas mesmo assim, tão longe do 9,5 que era o objetivo final. Resultado: Não passei na disciplina, fica para o ano. 

Dizem que o décimo segundo é a calma depois das tormentas, bem, não foi bem assim para mim. Começou mal, quando eu fiz a escolha de Química e Psicologia e recebi a notícia que não iriam abrir turmas porque não havia alunos suficientes. O que me fez matricular-me em Biologia e Psicologia. Mas com a condição que teria que concluir primeiro a bianal de 10º e 11º anos para puder avançar para a biologia de décimo segundo. Resultado final: tive de me inscrever numa turma de décimo primeiro ano que fosse compatível com os meus horários, assistir às aulas de 12ºano para ser submetida a uma prova de equivalência a frequência que me iria garantir a biologia de décimo segundo, se tirasse 9,5 valores, no mínimo. Isto tudo se quisesse despachar nesse mesmo ano. Submeti-me a toda essa carga horária, a todo esse esforço, empenhei-me mais que nunca. Fiz quatro exames no fim, o do ano anterior de Biologia e Geologia, os dois exames obrigatórios de décimo segundo, no meu curso, o de Português e Matemática A e ainda, o de equivalência a frequência de biologia que era composto pela parte prática - uma experiência, e a parte teórica onde apareceu os cinco módulos previstos sendo que três deles não foram trabalhados em sala de aula uma vez que não são obrigatórios. Agora imaginem estudar para quatro exames que se realizam em duas semanas consecutivas, já para nem falar que Camões não sabia resolver uma inequação de segundo grau, nem que Fernando Pessoa tinha conhecimento de identificar diferentes tipos de rochas e dizer o seu grau de porosidade. Portanto, resumidamente, alguma coisa iria ficar para trás. E ficou, naturalmente, simplesmente acabei por dedicar-me a estudar conteúdo que tinha maior dificuldade e deixar o Português um pouco de parte e mesmo assim, por rever a matéria de três anos em menos de uma semana, acabei por me safar (haja alguma coisa boa, nesta vida!). Já para nem falar que prometi a mim mesma que, independentemente dos resultados, não iria estragar mais um verão a estudar para ir à segunda fase pois foi coisa que me marcou muito e de forma tão negativa no ano anterior ao ponto de mexer muito com o meu psicológico. 

Os resultados foram ditos por uma amiga minha quando já estava no avião para ir para Évora. Eu já estava mentalizada que iria chumbar a matemática, mesmo assim, vendo pelo lado positivo da coisa, ainda tirei quatro valores (foi vergonhoso, eu sei!), metade dos valores que precisava para passar mas tal como a minha mãe diz "foi melhor perder com quatro do que com um, isso sim é vergonha" e fomos viajar descansados, aproveitar, mesmo com uma grande mágoa no peito, adorei a viagem e soube tão bem aqueles dias. Já agora, Évora é lindo!

E pronto, acho que já podem perceber o porquê de ter ficado mais um ano, a culpa foi da matemática. Mas já que o fiquei, aproveitei e fiz melhoria da nota de biologia no qual acabou por compensar a minha média. E assim, terminei o meu secundário e estou pronta para novas mudanças e pronta para esta transição para aquele que é o último ciclo de estudos antes de entrar no mercado de trabalho. E confesso que as incertezas surgem, mas espero ter-vos desse lado a acompanhar toda esta minha transição. 

E como disse no início, não é pela minha experiência no secundário tenha sido menos positiva e um pouco traumatizante até, que a vossa será igual. Mas uma coisa vos digo, se eu pudesse voltar atrás, seguiria desde cedo o conselho do meu diretor de turma para mudar de curso e esse seria Línguas e Humanidades.  

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