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Conversas e Café

Da prateleira para o blog | It Ends with Us de Colleen Hoover

Vamos falar sobre livros? O post de hoje é muito diferente do que estão habituados a ler por aqui. Hoje decidi trazer o review de um livro que acabei de ler muito recentemente, Isto Acaba Aqui (na tradução para português) de Collen Hoover. Antes de mais, queria pedir-vos imensas desculpas, caso acham este tipo de post e a forma como está estruturado não corresponder, de algum modo, à vossa expectativa. É a primeira crítica literária que escrevo sem ser em contexto "académico" e prometo dar o meu melhor. Podem sempre sugerir ideias para melhorar daqui em diante, sintam-se à vontade e não sejam muito mauzinhos. 

Voltando ao assunto que me trás aqui hoje, o livro It Ends with Us de Collen Hoover.

SINOPSE: 

O que te resta quando o homem dos teus sonhos te magoa?

Lily tem 25 anos. Acaba de se mudar para Boston, pronta para começar uma nova vida e encontrar finalmente a felicidade. No terraço de um edifício, onde se refugia para pensar, conhece o homem dos seus sonhos: Ryle. Um neurocirurgião. Bonito. Inteligente. Perfeito. Todas as peças começam a encaixar-se.

Mas Ryle tem um segredo. Um passado que não conta a ninguém, nem mesmo a Lily. Existe dentro dele um turbilhão que faz Lily recordar-se do seu pai e das coisas que este fazia à sua mãe, mascaradas de amor, e sucedidas por pedidos de desculpa.

Será Lily capaz de perceber os sinais antes que seja demasiado tarde?
Terá força para interromper o ciclo? 

 

OPINIÃO:

Fiquei fascinada com este livro que apareceu aleatoriamente no TikTok (sim, descobri que afinal o TikTok também pode ser muito útil para enriquecer a cultura!) e que li em apenas quatro dias e na língua originalmente escrita, em Inglês. 

O que me despertou a atenção para ler? Ver que este aparecia em inúmeras publicações e que, no geral, tratava-se de uma crítica positiva. E depois de pesquisar pela sinopse, algo suscitou a minha atenção. Não é segredo para ninguém o quanto gosto de um bom romance. E só pelos comentários e pelas reações do público no geral, decidi dar uma oportunidade de modo a decifrar se se trata, efetivamente, de um bom romance como muitos o defendem. 

Digamos que este livro, no seu geral, mexeu muito com a minha pessoa, em termos emocionais e deste modo, recomendo-vos, se vocês também se envolvem vivamente com a narrativa e se apegam de tal modo aos personagens, a colocar um pacote ou mais de lenços ao vosso pé para que ao longo da vossa leitura, possam chorar à vontade enquanto vivem cada segundo da ação que se desenvolve. 

A autora conta-nos a história de Lily, uma jovem adulta com os seus vinte e poucos anos que assistiu, ao longo da sua infância e adolescência, cenas marcantes de violência doméstica por parte do seu pai. Lily assume-se como narradora autodiegética, contando na primeira pessoa e sem poupar na descrição, das vezes em que a sua mãe era agredida pelo seu marido, no qual Lily chamava de "pai". 

A ação começa no dia do funeral do seu pai, quando Lily, sentada no rooftop de um prédio em Boston, a olhar para as estrelas recorda por meio de analepse dos momentos das agressões, da forma como a mãe se submetia àquelas atitudes mais abusivas e violentas, e sobre a vida no seu geral. E é no meio dos seus devaneios que conhece Ryle. Um neurocirurgião em início de carreira, que despertara a sua atenção pela sua beleza e pelo seu charme, mas também pela sua atitude menos passiva que o levara àquele mesmo sítio. 

“Não existe essa coisa de pessoas más. Todos nós somos apenas pessoas que às vezes fazemos coisas más.”

Com o decorrer da conversa entra ambos, recorre-se à expressão "A verdade nua e crua" como uma espécie de brincadeira que, no decorrer da leitura, tornar-se-á recorrente. E tal como a expressão indica e no momento em que é expressada, não deve ser dito nada mais do que a verdade mesmo que isso possa doer. 

Até que Ryle revela que não quer ter compromissos com ninguém e defende a sua ideologia de "one night stand" , deixando Lily reticente quanto à sua proposta de passar apenas uma noite com ela, no qual ela não concorda. Por não estarem ambos na mesma página, chegam ao acordo de seguir a vida em frente, cada um para o seu lado, e não de não voltar a se encontrar. 

Com o passar do tempo, a protagonista persegue o seu sonho e começa a construir uma loja de flores. Enquanto isto, a narração parte para um outro ponto em que, por meio de analepse, é contada pequenas partes da vida de Lily por diários que a própria protagonista escrevia, de modo a que o leitor conheça melhor a sua história de vida. Esses diários eram escritos e remetidos a Ellen Degeneres. E é, justamente, nesses diários que ficamos a conhecer um pouco mais sobre Atlas, o primeiro amor de Lily.

Atlas, era um rapaz sem abrigo que fez o coração de Lily se apaixonar. Colocado na rua pela própria mãe, que escolheu o seu companheiro em vez do seu próprio filho, vivia com dificuldades numa casa abandonada perto da casa de Lily. Quando ela se apercebe que Atlas não tinha nada que comer ou vestir, começou, prontamente, a ajudar-lhe às escondidas dos seus pais. E assim foi crescendo uma amizade e cumplicidade entre eles. Amizade essa que se transforma num sentimento bonito, amor. No entanto, Atlas sentia-se obrigado a ir embora, isto se ele quisesse se reerguer na vida e ser alguém na vida, e assim o fez, aproveitou esta única oportunidade que tinha. 

Com o andamento da sua loja de flores, Lily conhece Alyssa, a irmã de Ryle, que se prontificou para ajudar em tudo o que Lily precisasse na sua loja, nascendo daqui uma verdadeira amizade que prolongar-se-á com o decorrer da ação. Lily e Ryle acabam por se reencontrar quando Lily tem um acidente na sua loja e é ele o irmão de que Alyssa fala para a socorrer e estabilizar o pé. Até que se lembram do acordo que tinham feito - sobre seguir em frente -, e, uma vez que Rily continua a defender a sua ideologia, decidem afastarem-se outra vez e que nem Alyssa, nem ninguém os voltariam a juntar. 

No entanto, nada acontece como planeado e ambos acabam por ficar juntos e toda uma nova situação acontece e evolui para ambos. Até que um dia, Ryle mostra interesse em ir ao jantar que Lily tinha combinado com a sua mãe a um novo restaurante em Boston. É aí que Lily reencontra Atlas, o seu primeiro amor, aquele que pensara ter perdido para sempre. Deixando-na confusa com toda aquela situação. 

Mais tarde, num outro momento no apartamento de Lily, o casal está a preparar um jantar romântico que acaba por se tornar em desastre total com Ryle com a mão queimada e ferida, mão essa que necessitava para uma cirurgia importante que iria fazer dias depois, e com uma Lily inconsciente e com um corte na sobrancelha, devido à fúria de Ryle que a empurrou com força.

"Todos os seres humanos cometem erros. O que determina o caráter de uma pessoa não são os erros que cometemos. É como nós levamos esses erros e os transformamos em lições em vez de desculpas"

Lily, depois de ter assistido às inúmeras cenas de agressões, sempre prometera a si mesma que se algum dia um homem usasse a violência para consigo, deixar-lo-ia sem pensar duas vezes. No entanto, tal não aconteceu. Na sua cabeça havia sempre uma justificação para um comportamento mais agressivo por parte de Rily, acabando-o sempre por perdoar.

Depois deste acontecimento, ela regressa com Ryle e a sua irmã ao restaurante Atlas, que ao rever-lhe com o olho negro, este supõe que havia algo de errado na relação de Lily e Ryle. Ao confrontar-lhe em privado, Lily acaba por negar e Ryle estranha a ausência de Lily por tanto tempo, indo à sua procura, acabando numa enorme confusão. 

As agressões continuam e, consequentemente, as desculpas também. Até que um dia, ele espanca-a e tenta violar. E é durante a noite, que Lily toma coragem e põe fim à situação, fugindo de casa e ligando a Atlas para a salvar daquele pesadelo. Atlas, leva-a para o hospital pois Lily tinha um corte profundo na face que precisava de levar pontos. E quando o inferno parecia ter chegado ao fim, Lily recebe a notícia por parte dos médicos, que carregava dentro de si um bebé. Bebé esse, fruto de uma relação com um marido com atitudes abusivas. 

Lily, refugia-se e tenta esconder de todos a sua gravidez, até mesmo, e principalmente, de Ryle. Este parte três meses para o estrangeiro e enquanto isso, Lily tenta entender que rumo dar à sua vida e que decisão tomar. Qual será essa decisão? Para a descobrirem, têm de dar continuidade à leitura.

Ao ler estas informações, da forma como foi contada, sei que muitos vão odiar o Ryle mas, sinceramente, tenho uma relação de amor-ódio com o personagem. Trata-se de uma personagem complexa mas muito bem trabalhada no seu todo, há uma dualidade neste que deixa o leitor em dois campos completamente opostos quanto a ele. No entanto, é uma dualidade interessante que coloca o leitor a observar cautelosamente a personagem enquanto avalia o seu temperamento e as suas atitudes. 

No entanto, este livro ressalta a empatia, a violência na relação, independentemente de se tratar de namoro ou casamento, e ainda, o perdão. Apelando para que as vítimas de violência doméstica se façam ouvir porque a violência é algo sério, que não pode ser romantizado tal como Lily e até mesmo a própria mãe o fizeram, violência não é amor. E tal como tantas outras Lily's por este mundo, a violência não pode ser aceite como amor, são dois comportamentos/sentimentos opostos. 

No fundo, e depois de ler a nota de autor que Collen Hoover necessita deixar ao leitor no final do romance, fez-me entender que ao escolher Lily como narradora autodiegética, que conta a sua verdade na primeira pessoa, descrevendo as suas emoções, os seus pensamentos, os seus medos e até mesmo as suas justificações para cada agressão na qual se submeteu, a autora quis transmitir a mensagem de como as vítimas se sentem e o que faz com que elas não denunciem a sua situação de imediato. Fazendo com que o leitor, que está de fora da história, que não a vive na primeira pessoa, ganhe um pouco mais de empatia pela vítima e que não a julgue pelas suas escolhas e, sobretudo, pelo seu silêncio e submissão. 

Este livro é absolutamente maravilhoso, que fica tão difícil de encontrar o vocabulário certo, e que aquele que merece, para o descrever. 

A meu ver, em termos de classificação merece:  5/5

 

Qual é o próximo livro que acham que deva ler e falar para vocês? 

Deixem as vossas sugestões nos comentários que eu vou estar atenta a tudo! 

Espero que tenham gostado. 

Descomplicar...

Quantas vezes deram por vocês a quererem tanto mas tanto atingir um objetivo e cada vez estarem mais longe dele? Quantas vezes é que não se sentiram frustrados ou até mesmo desmotivados, com vontade de desistir por parecer "difícil" ou "impossível" alcançar? Creio que todos nós, nem que seja por uma vez na vida, já nos sentimos assim: tristes, desmotivados, frustrados ou até perdidos, sem saber o que fazer ou por onde se virar face às adversidades impostas na caminhada rumo ao nosso sonho, ao nosso objetivo. Mas deixem-me contar - vos um segredo, DESCOMPLIQUEM. Isso mesmo. Mas como posso fazer isso? Perguntem-me vocês com uma certa inquietação na alma e eu repito, DESCOMPLIQUEM!

Descomplicar não se trata de desistir ou enveredar por caminhos mais "fáceis" ou mais "rápidos". Descomplicar significa ter definido um objetivo e mesmo com plano detalhadamente traçado, simplesmente, guardá-lo na "gaveta" e entregar ao Universo esse próprio desejo, essa meta que tanto se ambiciona e seguir tranquilamente a vida. E quando menos esperarmos, estamos mais perto de atingir ou até mesmo já o alcançamos e nem nos demos de conta.

Digo descomplicar pois tudo na vida tem o seu tempo para acontecer. Muitas das vezes, quando estipulamos uma nova meta, talvez nem estejamos preparados para colher os frutos desse tão desejado objetivo, tudo tem o seu tempo e há um longo processo até lá chegar. Por vezes focamos demasiado nessa intenção, como se algo de vida ou morte se tratasse e deixamos-nos sufocar e esquecemo-nos de que há mais vida para além disso. E é quando aprendemos a viver, mesmo sem essa meta, quando aprendemos a olhar ao nosso redor, aprendemos com as lições que a vida tem para nos ensinar, todo esse processo nunca é em vão para alcançar aquele propósito sempre tão idealizado e sonhado.

Sabem, o Universo é extraordinário. Ele só entrega para nós aquilo que nos pertence e quando nos é merecido, no tempo certo, quando é hora! No fundo, não passa de um teste à paciência e à resiliência de cada um. Mas quando é nosso e é feito a nossa parte com dignidade e humildade, está mais que garantido. Até lá, devemos manter o foco, manifestando claramente o nosso propósito e deixá-lo ir. Desccomplicar, simplesmente! 

Playlist | O Top 3 de 2021

Hello 2022!

Antes de mais um bom ano a todos vocês. Que seja um ano repleto de saúde, paz e muito, mas mesmo muito amor. Que seja o ano da viragem para todos nós, são estes os meus sinceros votos para este ano que agora se inicia. 

E é com música que dou inicio a mais um ano. De todas as músicas de 2021, até mesmo daquelas que publiquei (link aqui) aqui vai o TOP 3, as minhas preferidas e aquelas que pretendo ainda ouvir ao longo deste ano. E elas aparecem listadas só para vocês. 

2021 Playlist.jpg

 

E agora sim, já pudemos começar 2022 em grande estilo. 

Vamos a isto! 🥂✨

A autora

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