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Conversas e Café

10 anos de Diabetes...

Faz hoje dez anos que me foi diagnosticado Diabetes Mellitus Tipo I, ainda me lembro desse dia, um dos piores da minha vida, posso afirmar. Aprendi muito com esta doença, não só anatomicamente mas também entre outras dicas que revolucionaram a minha vida, coisas essas que nunca imaginei vir a me importar tanto com isso. Perdi a conta de quantas vezes, ao longo destes dez anos, ouvi dizer "vive-se com diabetes" ou "há doenças piores". Claro que se vive com diabetes, caso contrário nem eu nem milhares de pessoas estariam a contar a sua história. E é claro que há doenças piores, não posso negar, mas isto também não é um mar de rosas mas sim algo que nos desafia constantemente e que gera alguma revolta quando descarrila quando não é suposto descarrilar, algo muito agridoce, eu diria. 

Ao longo deste tempo, visto que fui diagnosticada com apenas 8 anos de idade, aprendi a crescer. Aliás, tudo isto obrigou-me a crescer depressa, a ser ainda mais responsável por mim mas como também à minha saúde. E tenho que admitir, que graças aos meus hábitos alimentares saudáveis, já antes da diabetes, tudo se tornou mais fácil. Nunca fui de comer doces nem fast food, se comia era em festas de aniversários ou ocasiões especiais uma vez que o meu pediatra sempre alertou a minha mãe pela minha tendência a ser obesa, por tanto, desde muito cedo, os meus hábitos alimentares eram restringidos e preferencialmente saudável, depois da diabetes, o que mudou do meu plano alimentar inicialmente foram os pães de leite, os meus preferidos, e umas bolachas de pequeno almoço da Proalimentar Belvita. De resto, tudo se manteve, com um ajuste aqui e ali mas nada de especial.

Uma coisa que nunca pensei aprender foi ler os rótulos das embalagens (algo que também já vos ensinei por aqui) a contabilizar os hidratos de carbono e a converter em unidades de insulina a administrar. Tudo isto, obviamente, com o tempo. 

Dez anos de diabetes, dez anos de restrições específicas aos açúcares e adivinhem só, a alimentação saudável pode ser igualmente deliciosa. Não diga que não coma uma fatia de bolo numa festa de aniversário ou um pouco de pudim no natal, sempre aumentando duas ou mais unidades de insulina para cobrir os "estragos", embora, muito sinceramente, não sinto falta. Tanto que na segunda ou na terceira colher, o doce da sobremesa ou da fatia, já começa a enjoar, ao ponto de muitas das vezes, prefiro nem comer nada. Simplesmente porque já me habituei e é algo que não me acrescenta em nada nem me faz confusão ver as outras pessoas a comer e eu não puder, pois eu sei que a minha saúde depende muito dos meus comportamentos e que tudo tem as suas consequências. 

Dez anos a viver civilizadamente com esta minha diferença, que por vezes nem é fácil, por vezes é frustrante outras vezes desafiante mas, mesmo assim, consigo ser feliz, consigo dar a minha gargalhada e consigo, sobretudo, ser igual a todas as outras pessoas, só que com uma particularidade, ser um pouquinho mais doce que todas elas e ter um senhor (pâncreas) preguiçoso dentro de mim, que está de férias à 10 anos e que se recusa a voltar a funcionar. 

No entanto faço a minha vida normal com algumas restrições e bem consciente daquilo que posso ou não fazer/comer. Mas SEMPRE DE SORRISO NO ROSTO porque afinal o amargo não combina comigo!

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