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Conversas e Café

48 anos de Liberdade...

Hoje, dia 25 de abril, é um dia lindo e com outra cor. Não por ser feriado numa segunda feira e por consequência termos direito a um fim de semana prolongado, mas sim, pelo próprio significado desta data em Portugal. Há sensivelmente 48 anos, acontecia uma Revolução que pôs fim à ditadura e marcou o início da Liberdade.

Entre as nove definições que aparecem no Dicionário Priberam, quando se pesquisa por liberdade, para mim, a que mais se adequa a este contexto histórico que hoje celebramos é: 

Direito de um indivíduo proceder conforme lhe pareça, desde que esse direito não contra o direito de outrem e esteja dentro dos limites da lei.


"liberdade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/liberdade [consultado em 25-04-2022].
 
 
É nosso direito expressar-nos, sermos livres, desde que não haja invasão do espaço do outro, atenção, sem ter medo das consequências ou represálias dos nossos atos, sobretudo se estes entrarem em conflito de opiniões contra ao poder político. 
 
Quarenta e oito anos parece já um passado longinquo para muitos, mas não, numa escala de medição de tempo histórico, foi ainda ontem. É muito recente. Somos livres apenas há 48 anos. E muitas das vezes, nem nos damos de conta o quão importante é sermos livres. Talvez porque é um direito que pertence à Constituição Portuguesa e se encontra camuflado entre nós no nosso dia a dia ou talvez por vivermos num país tão lindo quanto o nosso, ser livre entrou na nossa cultura enquanto sociedade que até já passou despercebido por entre os afazeres do dia a dia. O que é certo, é que SOMOS LIVRES. E que aqui não há mais espaço para um regime ditatorial, não há espaço para um "neossalazarismo" e para todos aqueles que pensam que no tempo de Salazar era tudo melhor. 
 
Podemos ser pequeninos, mas somos tão grandes pela nossa LIBERDADE. 
 
Que neste dia possamos refletir, lutar e celebrar pois mais um ano do início de uma fase tão bonita, VIVER EM LIBERDADE. 
 
UM VIVA À LIBERDADE!
 

(Imagem: Twitter)

 

 

Sobre Empatia...

Quantas vezes se puseram no lugar do outro? Quantas vezes ajudaram alguém sem qualquer tipo de interesses, glorificações, reconhecimentos ou recompensas? Quantas vezes pararam para pensar "e se fosse comigo" ou "se tivesse em tal situação como iria reagir ou como esperaria ser ajudada"? 

Nunca vi um mundo tão mais avesso que aquele que vivemos nos dias de hoje, em que os interesses falam mais alto e onde as pessoas sentem a ousadia de aproveitar da boa vontade dos outros em benefício próprio. Não é sobre nós mas é também sobre o mundo que nos rodeia, é também sobre o próximo. Não é só e exclusivamente para louvor ou reconhecimento por parte dos outros. Aliás, nada é uma questão de recompensa, tudo é sobre ter a humildade de se colocar na pele do outro, de ser genuinamente Humano e ter a coragem de ajudar sem esperar nada em troca. Não é uma questão de interesses pessoais ou olhar para o nosso umbigo somente e ajudar simplesmente quando os convém, só porque fica bem do ponto de vista social. É sobre valores... É sobre empatia. 

Reflitam sobre isso e se fizer sentido coloquem em prática este valor tão essencial que nos tornam verdadeiramente Humanos com um H maiúsculo. Porque tudo é uma questão de Ser. Nada é uma questão de Parecer

E se assim o fizerem, vão ver que, afinal, o mundo é tão mais bonito! 

13 de março de 2010

Treze de março de 2010. Uma data que vai ficar sempre marcada na minha memória e sempre recordada com tal angustia que ainda hoje inquieta de certo modo o coração em recordá-la.

Esta data marcou o início de uma nova história, de uma nova batalha com que luto com tudo o que tenho, com o melhor e pior de mim, todos os dias. Foi o dia do meu diagnóstico de Diabetes Mellitus Tipo 1. Isto tudo numa menina com quase nove anos. E foi a partir desse dia, mesmo com medo do desconhecido, que eu soube que desde então, a minha vida mudaria para sempre. Não estava errada acerca disso. Fui simplesmente "obrigada" a crescer à força e a assumir responsabilidades que não competia a uma criança de nove anos a assumir, no entanto, uma vez mais, a vida pôs-me à prova e eu tive que aceitar e demonstrar que estava à altura deste enorme desafio. 

Permitem-me em descrever esta doença como um desafio porque nem nos melhores contos de fada, nem nas melhores fantasias seria outra coisa, aliás, se a Diabetes fosse uma personagem fictícia seria uma vilã malvada e sem coração. Muitos romantizam com a frase "até se vive bem com diabetes". Sim, é certo vive-se. Mas "bem"? Tenho as minhas dúvidas! Se quiseres minimizar os impactes e todas as consequências, que às vezes sou ligeiramente atormentada só de pensar, tens de saber controlar ao mínimo detalhe. E deixem-me dizer, não é de todo fácil e devo confessar o quão frustrante e indigno é, sobretudo, quando fazes tudo certo e dá TUDO errado.

Vejo-a como uma BATALHA que estou comprometida a levar até ao fim. E no final de contas, doze anos depois do trágico sábado, 13 de março de 2010, posso diz que essa menina que foi forçada pela vida a crescer, tornou-se numa enorme guerreira que sempre foi à luta com todas as armas que tinha e mesmo nos seus piores dias, seguiu de cabeça erguida e não permitiu ser derrotada nem pela doença nem pelo desgaste psicológico que está associado a ela porque, como já dizia a música, "o que não nos mata, torna-nos mais fortes". 

4 anos de (muitas) Conversas e Café

Dezoito de fevereiro de dois mil e dezoito...

Hoje faz quatro anos que iniciei esta aventura de ter um blog. Sim, leram bem, quatro anos! Não era algo que me fosse desconhecido, se já não tivesse eu, em outros tempos remotos, ligada ao mundo da blogosfera em tantas outras plataformas. Mas foi aqui que decidi ficar, foi aqui que me senti mais em casa, que consegui ser mais "eu". Autentica. Uma menina com os seus (quase) dezassete anos, cheia de sonhos e à procura de se expressar da melhor forma que sabia e de ser reconhecida pelo mundo. 

Nestes quatro anos aprendi a ser e a fazer melhor. Algumas coisas mudaram a nível de conteúdo mas algo não mudou em mim, expressar-me tal como sou, pela minha escrita. Continuo a ser a mesma pessoa que escrevia há quatro anos mas claramente mais crescida. Algumas vezes, foi desafiante manter o conteúdo por aqui, ainda hoje é, honestamente. Havia alturas em que joguei pelo seguro, escrevi sobre o conteúdo que convinha escrever, admito, em prol dos números e de toda a audiência em geral, em vez de seguir o meu coração e arriscar escrever o que estava na alma, aquilo que ressoava melhor para mim naquele momento. 

O mundo da blogosfera não é fácil de todo como muitas pessoas pensam. Há sempre a ilusão de que é só chegar, escrever e publicar. No entanto, nem sempre é assim. Necessita tempo. E coragem também...

O que diferencia o meu blog dos outros? É uma questão que nem eu própria, enquanto autora, sou capaz de responder. Mas posso garantir que tudo é feito com o coração! Desde o design, às publicações. À forma com que recebo e respondo ao vosso feedback. Com AMOR e GRATIDÃO. Pois hoje, aquela menina com os seus dezasseis anos, sabe que está no caminho certo pois é capaz de olhar e perceber que, pelo menos, pôs alguém neste mundo a pensar sobre o que escreveu, mesmo sendo o post mais simplório que ela se propôs a fazer. Porém, se alguém o leu, não ficou indiferente certamente. Para mim, já é o suficiente. 

Estes quatro anos, têm sido qualquer coisa como MARAVILHOSOS graças a todos vocês. Portanto, hoje vamos brindar também à vossa presença neste meu cantinho que também é-vos familiar, onde as Conversas e o Café nunca podem faltar!

Um muito OBRIGADA a todos vós que tornam, TODOS OS DIAS, este meu projeto possível!!

Decoração Grinalda 1º Aniversário Convite-2.pn

 

🤎

 

Dates no Dia dos Namorados

Já pensaram no que vão fazer no dia dos namorados com a vossa cara metade? O quê? Mais um ano a jantar no restaurante favorito? E se eu vos disser que tenho aqui algumas sugestões para surpreender e passar um bom momento com a vossa pessoa!? Vamos lá tirar notas e pensar em possíveis lugares dentro da vossa zona de residência para fazer isto acontecer. 

Dia de São Valentim, ou dia dos namorados, tal como preferirem, é, na minha humilde opinião uma excelente oportunidade de negócio, então agora depois de pandemia, todo o comércio em geral, agarra esta ocasião para apostar e ganhar algum dinheiro depois do caos financeiro que sofreram nestes últimos tempos. Pois vejamos, na minha perspetiva, quando se ama alguém de verdade, não precisamos de ter uma data específica para demonstrar todos os nossos sentimentos por essa pessoa. No entanto, não condeno a quantidade de amor que existe nesse dia, só acho que deveria estender-se pelos restantes 364 dias do anos. É só o meu ponto de vista extremamente racional. No entanto, e agora apelando o meu lado mais romântico e sentimental, deixo-vos aqui dicas daquilo que eu imagino que seja o encontro/date mais apropriado para este dia.

 

Piquenique na praia 

Um piquenique na praia, a ver o pôr do sol enquanto as ondas do mar abraçam a areia, a comer a vossa comida preferida, parece-me uma boa opção. Para além de terem ao vosso lado a pessoa que adoram, ainda são previligiados por ter o mar diante de vós, o cheiro da maresia e ainda o relaxante som do mesmo a bater na areia como banda sonora da vossa paixão. O que vos parece? 

 

Dia de Spa 

Um dia de spa também é muito bom sobretudo quando é feito em conjunto. Importante fazerem uma pesquisa sobre promoções, que nesta altura há muitas campanhas especiais com preços irresistíveis. Opção mais barata, fazê-lo em conjunto em casa, preparar as velas aromáticas e um ambiente o mais tranquilo possível com uma boa playlist de fundo. 

 

Passeio pela natureza

Porque não aproveitar esse dia e fazer uma caminhada pela natureza? Sair da rotina e da correria da cidade? Tenho a certeza de que há tantos lugares lindos para descobrir pelo país, muitas vezes bem perto de nós, e que nunca nos demos ao trabalho de descobrir e olhar com olhos de ver. E ao estar em contacto com a natureza apenas os dois, vai fortalecer-vos enquanto casal e recarregar as energias. 

 

Tour pela Cidade 

Para quem não puder estar em contacto com a natura por qualquer motivo, que tal dar uma volta pela cidade? Fazer uma espécie de tour, em que inclua (re)visitar sítios onde ambos partilharam memórias juntos, os vossos sítios preferidos e descobrir novos sítios, também.  

 

Maratona de Filmes e Séries

Esta opção também é A OPÇÃO para a #team solteiros ! Por isso, sejam originais na hora de surpreender o vosso amorzinho com uma noite de cinema em casa. Sugestão: deixem o vosso tesouro escolher o filme ou a série que quer ver caso vocês estejam indecisos sobre o que assistir. Também podem partilhar com a vossa pessoa, a vossa série ou filme favorito. Ou se preferirem, rever uma outra vez o vosso filme/série que ambos adoram. O mais importante aqui é que estejam ambos confortáveis, felizes, agarradinhos e muito cúmplices. Como se estivessem dentro de uma bolha. A vossa bolha. 

 

E pronto, eis as minhas sugestões para passarem mais um Dia de São Valentim junto da pessoa que o vosso coração escolheu amar.

Convenci-vos? Espero que sim!

Um dia feliz e recheado de muito AMOR!

Da prateleira para o blog | It Ends with Us de Colleen Hoover

Vamos falar sobre livros? O post de hoje é muito diferente do que estão habituados a ler por aqui. Hoje decidi trazer o review de um livro que acabei de ler muito recentemente, Isto Acaba Aqui (na tradução para português) de Collen Hoover. Antes de mais, queria pedir-vos imensas desculpas, caso acham este tipo de post e a forma como está estruturado não corresponder, de algum modo, à vossa expectativa. É a primeira crítica literária que escrevo sem ser em contexto "académico" e prometo dar o meu melhor. Podem sempre sugerir ideias para melhorar daqui em diante, sintam-se à vontade e não sejam muito mauzinhos. 

Voltando ao assunto que me trás aqui hoje, o livro It Ends with Us de Collen Hoover.

SINOPSE: 

O que te resta quando o homem dos teus sonhos te magoa?

Lily tem 25 anos. Acaba de se mudar para Boston, pronta para começar uma nova vida e encontrar finalmente a felicidade. No terraço de um edifício, onde se refugia para pensar, conhece o homem dos seus sonhos: Ryle. Um neurocirurgião. Bonito. Inteligente. Perfeito. Todas as peças começam a encaixar-se.

Mas Ryle tem um segredo. Um passado que não conta a ninguém, nem mesmo a Lily. Existe dentro dele um turbilhão que faz Lily recordar-se do seu pai e das coisas que este fazia à sua mãe, mascaradas de amor, e sucedidas por pedidos de desculpa.

Será Lily capaz de perceber os sinais antes que seja demasiado tarde?
Terá força para interromper o ciclo? 

 

OPINIÃO:

Fiquei fascinada com este livro que apareceu aleatoriamente no TikTok (sim, descobri que afinal o TikTok também pode ser muito útil para enriquecer a cultura!) e que li em apenas quatro dias e na língua originalmente escrita, em Inglês. 

O que me despertou a atenção para ler? Ver que este aparecia em inúmeras publicações e que, no geral, tratava-se de uma crítica positiva. E depois de pesquisar pela sinopse, algo suscitou a minha atenção. Não é segredo para ninguém o quanto gosto de um bom romance. E só pelos comentários e pelas reações do público no geral, decidi dar uma oportunidade de modo a decifrar se se trata, efetivamente, de um bom romance como muitos o defendem. 

Digamos que este livro, no seu geral, mexeu muito com a minha pessoa, em termos emocionais e deste modo, recomendo-vos, se vocês também se envolvem vivamente com a narrativa e se apegam de tal modo aos personagens, a colocar um pacote ou mais de lenços ao vosso pé para que ao longo da vossa leitura, possam chorar à vontade enquanto vivem cada segundo da ação que se desenvolve. 

A autora conta-nos a história de Lily, uma jovem adulta com os seus vinte e poucos anos que assistiu, ao longo da sua infância e adolescência, cenas marcantes de violência doméstica por parte do seu pai. Lily assume-se como narradora autodiegética, contando na primeira pessoa e sem poupar na descrição, das vezes em que a sua mãe era agredida pelo seu marido, no qual Lily chamava de "pai". 

A ação começa no dia do funeral do seu pai, quando Lily, sentada no rooftop de um prédio em Boston, a olhar para as estrelas recorda por meio de analepse dos momentos das agressões, da forma como a mãe se submetia àquelas atitudes mais abusivas e violentas, e sobre a vida no seu geral. E é no meio dos seus devaneios que conhece Ryle. Um neurocirurgião em início de carreira, que despertara a sua atenção pela sua beleza e pelo seu charme, mas também pela sua atitude menos passiva que o levara àquele mesmo sítio. 

“Não existe essa coisa de pessoas más. Todos nós somos apenas pessoas que às vezes fazemos coisas más.”

Com o decorrer da conversa entra ambos, recorre-se à expressão "A verdade nua e crua" como uma espécie de brincadeira que, no decorrer da leitura, tornar-se-á recorrente. E tal como a expressão indica e no momento em que é expressada, não deve ser dito nada mais do que a verdade mesmo que isso possa doer. 

Até que Ryle revela que não quer ter compromissos com ninguém e defende a sua ideologia de "one night stand" , deixando Lily reticente quanto à sua proposta de passar apenas uma noite com ela, no qual ela não concorda. Por não estarem ambos na mesma página, chegam ao acordo de seguir a vida em frente, cada um para o seu lado, e não de não voltar a se encontrar. 

Com o passar do tempo, a protagonista persegue o seu sonho e começa a construir uma loja de flores. Enquanto isto, a narração parte para um outro ponto em que, por meio de analepse, é contada pequenas partes da vida de Lily por diários que a própria protagonista escrevia, de modo a que o leitor conheça melhor a sua história de vida. Esses diários eram escritos e remetidos a Ellen Degeneres. E é, justamente, nesses diários que ficamos a conhecer um pouco mais sobre Atlas, o primeiro amor de Lily.

Atlas, era um rapaz sem abrigo que fez o coração de Lily se apaixonar. Colocado na rua pela própria mãe, que escolheu o seu companheiro em vez do seu próprio filho, vivia com dificuldades numa casa abandonada perto da casa de Lily. Quando ela se apercebe que Atlas não tinha nada que comer ou vestir, começou, prontamente, a ajudar-lhe às escondidas dos seus pais. E assim foi crescendo uma amizade e cumplicidade entre eles. Amizade essa que se transforma num sentimento bonito, amor. No entanto, Atlas sentia-se obrigado a ir embora, isto se ele quisesse se reerguer na vida e ser alguém na vida, e assim o fez, aproveitou esta única oportunidade que tinha. 

Com o andamento da sua loja de flores, Lily conhece Alyssa, a irmã de Ryle, que se prontificou para ajudar em tudo o que Lily precisasse na sua loja, nascendo daqui uma verdadeira amizade que prolongar-se-á com o decorrer da ação. Lily e Ryle acabam por se reencontrar quando Lily tem um acidente na sua loja e é ele o irmão de que Alyssa fala para a socorrer e estabilizar o pé. Até que se lembram do acordo que tinham feito - sobre seguir em frente -, e, uma vez que Rily continua a defender a sua ideologia, decidem afastarem-se outra vez e que nem Alyssa, nem ninguém os voltariam a juntar. 

No entanto, nada acontece como planeado e ambos acabam por ficar juntos e toda uma nova situação acontece e evolui para ambos. Até que um dia, Ryle mostra interesse em ir ao jantar que Lily tinha combinado com a sua mãe a um novo restaurante em Boston. É aí que Lily reencontra Atlas, o seu primeiro amor, aquele que pensara ter perdido para sempre. Deixando-na confusa com toda aquela situação. 

Mais tarde, num outro momento no apartamento de Lily, o casal está a preparar um jantar romântico que acaba por se tornar em desastre total com Ryle com a mão queimada e ferida, mão essa que necessitava para uma cirurgia importante que iria fazer dias depois, e com uma Lily inconsciente e com um corte na sobrancelha, devido à fúria de Ryle que a empurrou com força.

"Todos os seres humanos cometem erros. O que determina o caráter de uma pessoa não são os erros que cometemos. É como nós levamos esses erros e os transformamos em lições em vez de desculpas"

Lily, depois de ter assistido às inúmeras cenas de agressões, sempre prometera a si mesma que se algum dia um homem usasse a violência para consigo, deixar-lo-ia sem pensar duas vezes. No entanto, tal não aconteceu. Na sua cabeça havia sempre uma justificação para um comportamento mais agressivo por parte de Rily, acabando-o sempre por perdoar.

Depois deste acontecimento, ela regressa com Ryle e a sua irmã ao restaurante Atlas, que ao rever-lhe com o olho negro, este supõe que havia algo de errado na relação de Lily e Ryle. Ao confrontar-lhe em privado, Lily acaba por negar e Ryle estranha a ausência de Lily por tanto tempo, indo à sua procura, acabando numa enorme confusão. 

As agressões continuam e, consequentemente, as desculpas também. Até que um dia, ele espanca-a e tenta violar. E é durante a noite, que Lily toma coragem e põe fim à situação, fugindo de casa e ligando a Atlas para a salvar daquele pesadelo. Atlas, leva-a para o hospital pois Lily tinha um corte profundo na face que precisava de levar pontos. E quando o inferno parecia ter chegado ao fim, Lily recebe a notícia por parte dos médicos, que carregava dentro de si um bebé. Bebé esse, fruto de uma relação com um marido com atitudes abusivas. 

Lily, refugia-se e tenta esconder de todos a sua gravidez, até mesmo, e principalmente, de Ryle. Este parte três meses para o estrangeiro e enquanto isso, Lily tenta entender que rumo dar à sua vida e que decisão tomar. Qual será essa decisão? Para a descobrirem, têm de dar continuidade à leitura.

Ao ler estas informações, da forma como foi contada, sei que muitos vão odiar o Ryle mas, sinceramente, tenho uma relação de amor-ódio com o personagem. Trata-se de uma personagem complexa mas muito bem trabalhada no seu todo, há uma dualidade neste que deixa o leitor em dois campos completamente opostos quanto a ele. No entanto, é uma dualidade interessante que coloca o leitor a observar cautelosamente a personagem enquanto avalia o seu temperamento e as suas atitudes. 

No entanto, este livro ressalta a empatia, a violência na relação, independentemente de se tratar de namoro ou casamento, e ainda, o perdão. Apelando para que as vítimas de violência doméstica se façam ouvir porque a violência é algo sério, que não pode ser romantizado tal como Lily e até mesmo a própria mãe o fizeram, violência não é amor. E tal como tantas outras Lily's por este mundo, a violência não pode ser aceite como amor, são dois comportamentos/sentimentos opostos. 

No fundo, e depois de ler a nota de autor que Collen Hoover necessita deixar ao leitor no final do romance, fez-me entender que ao escolher Lily como narradora autodiegética, que conta a sua verdade na primeira pessoa, descrevendo as suas emoções, os seus pensamentos, os seus medos e até mesmo as suas justificações para cada agressão na qual se submeteu, a autora quis transmitir a mensagem de como as vítimas se sentem e o que faz com que elas não denunciem a sua situação de imediato. Fazendo com que o leitor, que está de fora da história, que não a vive na primeira pessoa, ganhe um pouco mais de empatia pela vítima e que não a julgue pelas suas escolhas e, sobretudo, pelo seu silêncio e submissão. 

Este livro é absolutamente maravilhoso, que fica tão difícil de encontrar o vocabulário certo, e que aquele que merece, para o descrever. 

A meu ver, em termos de classificação merece:  5/5

 

Qual é o próximo livro que acham que deva ler e falar para vocês? 

Deixem as vossas sugestões nos comentários que eu vou estar atenta a tudo! 

Espero que tenham gostado. 

Descomplicar...

Quantas vezes deram por vocês a quererem tanto mas tanto atingir um objetivo e cada vez estarem mais longe dele? Quantas vezes é que não se sentiram frustrados ou até mesmo desmotivados, com vontade de desistir por parecer "difícil" ou "impossível" alcançar? Creio que todos nós, nem que seja por uma vez na vida, já nos sentimos assim: tristes, desmotivados, frustrados ou até perdidos, sem saber o que fazer ou por onde se virar face às adversidades impostas na caminhada rumo ao nosso sonho, ao nosso objetivo. Mas deixem-me contar - vos um segredo, DESCOMPLIQUEM. Isso mesmo. Mas como posso fazer isso? Perguntem-me vocês com uma certa inquietação na alma e eu repito, DESCOMPLIQUEM!

Descomplicar não se trata de desistir ou enveredar por caminhos mais "fáceis" ou mais "rápidos". Descomplicar significa ter definido um objetivo e mesmo com plano detalhadamente traçado, simplesmente, guardá-lo na "gaveta" e entregar ao Universo esse próprio desejo, essa meta que tanto se ambiciona e seguir tranquilamente a vida. E quando menos esperarmos, estamos mais perto de atingir ou até mesmo já o alcançamos e nem nos demos de conta.

Digo descomplicar pois tudo na vida tem o seu tempo para acontecer. Muitas das vezes, quando estipulamos uma nova meta, talvez nem estejamos preparados para colher os frutos desse tão desejado objetivo, tudo tem o seu tempo e há um longo processo até lá chegar. Por vezes focamos demasiado nessa intenção, como se algo de vida ou morte se tratasse e deixamos-nos sufocar e esquecemo-nos de que há mais vida para além disso. E é quando aprendemos a viver, mesmo sem essa meta, quando aprendemos a olhar ao nosso redor, aprendemos com as lições que a vida tem para nos ensinar, todo esse processo nunca é em vão para alcançar aquele propósito sempre tão idealizado e sonhado.

Sabem, o Universo é extraordinário. Ele só entrega para nós aquilo que nos pertence e quando nos é merecido, no tempo certo, quando é hora! No fundo, não passa de um teste à paciência e à resiliência de cada um. Mas quando é nosso e é feito a nossa parte com dignidade e humildade, está mais que garantido. Até lá, devemos manter o foco, manifestando claramente o nosso propósito e deixá-lo ir. Desccomplicar, simplesmente! 

Playlist | O Top 3 de 2021

Hello 2022!

Antes de mais um bom ano a todos vocês. Que seja um ano repleto de saúde, paz e muito, mas mesmo muito amor. Que seja o ano da viragem para todos nós, são estes os meus sinceros votos para este ano que agora se inicia. 

E é com música que dou inicio a mais um ano. De todas as músicas de 2021, até mesmo daquelas que publiquei (link aqui) aqui vai o TOP 3, as minhas preferidas e aquelas que pretendo ainda ouvir ao longo deste ano. E elas aparecem listadas só para vocês. 

2021 Playlist.jpg

 

E agora sim, já pudemos começar 2022 em grande estilo. 

Vamos a isto! 🥂✨

Uma viagem por 2021...

Olhar para 2021, que está mesmo na reta final, e pensar nas voltas que este ano deu deixa-me de certa forma nostálgica e, sobretudo, muito grata por cada segundo. 

Este ano ensinou-me tanto. Cresci imenso enquanto pessoa. Aprendi a ser a minha melhor versão todos os dias até, finalmente, encontrar algures em mim a minha verdadeira essência, aquilo que sou realmente e aquilo com que mais me identifico atualmente. Este ano fez-me abrir os olhos, uma vez mais, em relação às pessoas que me rodeiam e da forma como se relacionam e interagem comigo. Perdi amizades, sim. Mas sinto que não perdi nada com isso, só ganhei. Apenas me desprendi e fui soltando lentamente para ver se do outro lado agarravam a corda, puxavam-na e insistiam em mantê-la. Pode parecer rude da minha parte e até posso parecer ingrata ou a má da fita mas por vezes, é necessário. E diga-se de passagem, amigos de verdade não têm de falar vinte e quatro horas por dia mas sim, quando estão presentes ou quando te procuram, a ligação que existe e a qual chamamos de "amizade", não mudar! 

Por outro lado, se perdi amizades, também criei novas, conheci novas pessoas e especiais para levar para a vida e fortaleci laços com algumas outras já de anos. Portanto, a todos aqueles que decidiram ficar na minha vida por mais um ano, gratidão infinita, vocês são estupendamente maravilhosos e não há forma de vos agradecer pelo tanto que fazem por mim todos os dias. 

Este ano foi uma montanha russa de emoções. Sabem quando tudo vos parece estável, monótono até que a vida arranja uma maneira de vos surpreender? Eu, pelo menos, senti isso. Mas foi talvez essas "surpresas" da vida que me tornaram nesta minha versão mais resiliente, firme, forte e determinada. E note-se que quando falo em "surpresas" não se trata apenas do jeito como a vida resolve tirar o tapete uma vez por outra mas também quando nos surpreende pela positiva. E isso ensinou-me que, mesmo quando tudo parece estar monótono (do género "gira o disco e toca o mesmo"), ela está sempre em movimento, a vida continua a acontecer à nossa volta. Porém, estamos tão centrados e focados naquela monotonia que não conseguimos ver mais além.

Em 2021 perdi alguém especial, que agora é só mais um anjinho que está lá em cima a olhar por mim. No entanto, por mais que possa doer, acho que consegui aceitar melhor esta partida, também porque era algo que já estava à espera e considerando o estado de saúde e de evolução tão avançada da doença, seria egoísta da nossa parte enquanto família, querer prendê-la à terra por mais tempo. Enfim, estava na hora de deixa-la ir.

Ao fazer esta viagem no tempo, permitiu refletir e reviver todos estes momentos, a maior parte deles felizes mas todos eles pautados de aprendizagem e crescimento pessoal. Se me pedissem para descrever este ano em uma só palavra, eu diria convictamente RESILIÊNCIA, isto porque depois de tanta volta e reviravolta que este ano já deu, sigo em frente, pronta para um novo ano, determinada e de cabeça erguida, mesmo sem uma lista de objetivos predefinidos, vou, simplesmente, por onde o vento me levar. E que me leve a bom porto. 

Experimentei o sensor Freestyle Libre 2 da Abbott

Olá, olá, 

Três anos depois do meu post em que revelei a minha experiência com o sensor Freestyle Libre, post esse que ainda hoje recebo comentários com milhões de histórias - link aqui -, voltei para contar-vos a minha mais recente experiência com a suposta versão melhorada do primeiro sensor, o Freestyle Libre 2 da Abbott. E só pelo sarcasmo desta minha introdução, penso que já deu para perceber que não correu lá muito bem. 

Desta vez, não estava com grande expectativa, apenas o coloquei por já ter lido algures nos grupos de diabéticos algumas maravilhas o que me levou a considerar esta ideia e aproveitei o facto de ter sido falado sobre o assunto na minha consulta de rotina e porque não? Mais trauma ou menos trauma, há sempre uma esperança por detrás relacionado à eficiência deste menino.

Continuo a defender a minha ideologia de que o sensor é uma ótima alternativa para reduzir as picadas que estamos tão habituados, sobretudo se este sistema for minimamente fiável. Mas é melhor entender primeiro o que evoluiu desde o primeiro para o segundo antes de falar em "fiabilidade". 

Este novo sensor é mais interativo e tecnologicamente inteligente. Primeiro que tudo, a maquina de leitura deste pode ser rapidamente substituída por um smartphone, que através do Bluetooth e da aplicação, basta passar pelo sensor para a sua leitura. Depois, o facto de ter a função de alarme que envia-vos notificações quando a glicémia está baixa ou alta ou ainda, lembretes para medir na hora X quando programado para tal. Podem também registar as unidades de insulina que administraram, tudo como faziam no leitor e conseguem entender também o vosso gráfico, quanto tempo dentro do alvo, a média aproximada da vossa glicémia, tudo igual ao primeiro sensor. 

Agora vamos à parte que toda a gente estava à espera de saber: afinal como correu a minha experiência? Se vou manter a picada no dedo ou fiquei rendida ao sensor? E eu vou contar-vos tudo, já de seguida e sem mais delongas. 

Lembrem-se de eu falar sobre as diferenças "abismais" de 100 a 150 mg/dl no primeiro sensor? Bem, continuamos a ter discrepâncias entre sensor e picada no dedo. Só que desta vez, menores! E não dá para entender ao certo pois por vezes os valores do sensor apresentam-se superiores ao do dedo e outras vezes, no sensor estou menos docinha do que estou, efetivamente, no dedo. Eis a principal diferença que acontece nesta segunda versão. Para acrescentar a este facto, as diferenças rondam os 60 ou 70 mg/dl no entanto, já cheguei a ter uma diferença de apenas 5mg/dl entre sensor e dedo, o que me deu uma certa esperança, mas mais uma vez, não passou de uma mera ilusão. 

Eu juro que gostava tanto que isto resultasse, mas já deu para perceber que este sistema, para mim, não funciona, com muita pena minha. Queria tanto que resultasse comigo pois é muito mais fácil abrir a app e discretamente passar pelo braço mas não é fiável. Já tive baixas de açúcar que o sensor nem chegou a detetar, nem a enviar-me notificação, mas sim, essas baixas foram detetadas por mim. E enquanto estava com 68, no sensor acusava 112, como se nada fosse. 

Continua a ser assustadora esta discrepância e o quanto as pessoas podem ser iludidas pelos valores apresentados pelo Libre 2 que na verdade podem não corresponder à realidade. 

Portanto, como podem verificar, após este meu depoimento, as picadas do dedo é para manter e a ideia do sensor para descartar, seguramente. 

Só espero que futuramente possa escrever que o sensor deu resultado e mudou a minha vida, coisa que não aconteceu, uma vez mais! 

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